Nós respeitamos a fé evangélica

Por Cida Falabella – Vereadora de BH pelas MUITAS|PSOL

As discussões sobre a aprovação no Congresso Nacional da emenda que anistia mais de 1,5 bilhão de reais em impostos devidos pelas igrejas brasileiras fizeram movimentar mais uma onda de discursos de ódio nas redes sociais. Nós somos contra o perdão das dívidas, mas respeitamos a fé evangélica. O tema vem sendo tratado de maneira silenciosa, sem amplo debate com a sociedade e sem informações transparentes, o que, assim como as fake news, faz parte de um projeto político de acirramento da discriminação, a partir da desinformação e do compartilhamento de opiniões ofensivas e preconceituosas.

Por isso, não podemos cair no erro de atacar a fé evangélica, porque o problema não está na crença dos fieis e nas pessoas que a professam, mas nos fundamentalistas e nos dirigentes que usam dessa fé para promover o ódio. As atividades desenvolvidas pelas igrejas, como serviços sociais e educacionais, além das cerimônias religiosas e do acolhimento aos fiéis, são de grande valor para toda a sociedade e fazem parte da cultura do país. O que não podemos permitir é que a mobilização da fé seja utilizada como forma de pressão política, a fim de atender a interesses particulares, como mostram os dados que revelam a concentração da dívida com os cofres públicos nas mãos de poucas organizações religiosas.

Nesta segunda, 14, Bolsonaro vetou parte da proposta que perdoa as dívidas das igrejas, mas sugeriu aos parlamentares a derrubada do próprio veto, demonstrando sem qualquer constrangimento seus interesses com ganhos políticos em cima da fé dos brasileiros. A liberdade religiosa prevista na Constituição precisa ser respeitada e de maneira alguma usada para fins particulares e eleitoreiros.