Nenhum espaço cultural pode ficar pra trás

Neste período da quarentena, acompanhamos com tristeza o fechamento em definitivo de diversas casas culturais, que ficaram sem atividades e sem geração de renda para seguir com a manutenção dos espaços. A partir de hoje, 31, cinemas, teatros e centros de convenção poderão reabrir as portas, seguindo os protocolos sanitários para receber o público em segurança. Uma reabertura cautelosa é necessária para a movimentação do setor cultural, mas é preciso se perguntar: para quem e em que condições?

Atender às regras sanitárias impostas para a reabertura irá onerar os espaços independentes e produtores de eventos de pequeno porte, já tão impactados pela pandemia. Em audiência pública, realizada pelos vereadores Cida Falabella e Arnaldo Godoy, gestores culturais falaram do receio de verem ampliada a desigualdade existente nos diversos territórios culturais de Belo Horizonte.

Nesse sentido, o Projeto de Lei da Retomada Cultural em BH (PL 980/20), de autoria da Gabinetona, propõe que a Prefeitura se corresponsabilize e adote estratégias para subsidiar a manutenção e as adequações necessárias a espaços artísticos e culturais. O projeto já foi analisado pelas comissões da Câmara Municipal e está pronto para ser colocado em votação em primeiro turno no mês de novembro.

Importante frisar que a Lei Aldir Blanc, da qual nos orgulhamos de ter participado da construção, é uma medida emergencial, implementada com grande atraso e voltada para suprir os impactos já causados pela pandemia. A retomada irá exigir investimento público de outra ordem para garantir uma retomada acessível, segura e verdadeiramente democrática.